Voom Voom "Peng Peng"
Será caminhar sem rumo definido o segredo para a felicidade? A despreocupação poderá sem dúvida aliviar a tarefa de quem simplesmente pretende seguir num determinado azimute. Levantar-se-á outra questão: será salutar percorrer um determinado trilho sem se saber se alguma vez atingiremos os verdadeiros objectivos? Frustração poderá ser a derradeira meta a não ser que subitamente a sorte bafeje e ponto certo surja inesperadamente. A exploração do acaso parece ter sido um dos principais impulsos que fez mover esta joint-venture - a que muitos terão já chamado de super-grupo
Voom Voom - , que une as fronteiras austríacas e alemãs - Peter Kruder e os Fauna Flash - num projecto que nasceu inicialmente como uma colaboração ocasional na Compost Records e que acabou por se tornar numa aventura mais ou menos séria na !K7. Aventura que nunca poderá ser encarada como formal, com fins definidos para o futuro a médio prazo ou com vontade súbita de conquistar o mundo. Assim se chega a conclusão após as primeiras escutas de Peng Peng.
A vontade de apenas fazer electronic body music está patente na maneira despreocupada como lidam com as matérias primas nascidas em Detroit ou Chicago - e como as procuram depurar - , na forma simples como por vezes programam as bases, as melodias retro que prestam vassalagem a Moroder ou a homenagem à memória Kraftwerk, entre outros elementos que caracterizam este som que pura e simplesmente não é ambicioso, mas simultaneamente pretende ser futurista. Contraditório? Sem dúvida! Não que os intervenientes desta acção sejam trapalhões ou não possuam as capacidades intelectuais para erguer um registo mais conceptual - algo com mais substância que lhes permitisse, uma vez mais, deixar os nomes gravados na história da música electrónica -, mas os Voom Voom apenas decidiram fazer o que se ouve: um disco de música de dança. Simples, sem compromissos, sem um rumo pré-definido e sem qualquer vontade revolucionar o que quer que seja. Ponto!
Talvez a vontade de não seguir nada rigorosamente estipulado, premissas ditadoras, fórmulas contemporâneas de sucesso imediato e deixar a sorte definir o destino seja o verdadeiro segredo para a descoberta de novas coordenadas. Para que lado será então a felicidade?
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