Thievery Corporation "Versions "
O que resta quando nada mais há a dizer? Uma pergunta pertinente aos Thievery Corporation que uma ano depois do último álbum de originais - e quarto da carreira
- edita agora a segunda, e redundante, antologia de remisturas. Se Abductions & Reconstractions de 1999 era um fascinante exemplo como a remistura podia ser uma ferramenta artística de recriação, raptando e reconstruindo a matéria - e onde a marca de autor era impressa com exactidão sobre a propriedade alheia -, o novo Versions não passa de uma sequela pobre que reúne remisturas erguidas com a mesma bitola e que nada mais revela ao mundo a não ser a evidente falta de inspiração que a dupla norte americana tem revelado de 2000 para cá. Começa já a não haver grande paciência para as típicas abordagens preguiçosas samba ou bossa nova, evoluções downtempo que nunca atingem um ponto definido, cítaras perdidas em busca de oásis ou exotismos sonoros banhados em aloe vera. Aqui confirma-se a regra: as fórmulas só são eternas até ao dia em que se inventam outras. E neste momento já se inventaram umas quantas! Uma lição que ainda falta ser aprendida por Rob Garza e Eric Hilton.