RAPIDINHAS...
Mais uma invasão
Madlib... Neste último registo,
Beat Konducta, Otis Jackson Jr. retoma o seu estilo habitual de manipulador de tudo o que lhe interessa e se cruza no seu caminho, procurando uma vez mais abordar o hip-hop com ideias novas e refrescantes. Em 35 pequenas peças, sampla, cria, recria, desfigura e configura a matéria e, numa inebriante perícia, volta a fazer com que tudo faça sentido. Os seus beats mágicos acompanham melodias imaginárias que simulam uma suposta banda sonora de qualquer filme ainda por realizar. O ambiente reparte-se entre o familiar - produções tipicamente
Stones Throw, homenageando simultaneamente J Dilla - e um lado mais experimentalista, minimal e hipnótico... um hip-hop por vezes psicadélico e caleidoscópico, estranho, frio e ambíguo. Madlib no seu nível habitual!
Com mais de dez anos de existência, este colectivo hip-hop com base em Oakland, Califórnia, parece manter-se em forma. Com a característica astúcia com que tem pautado a sua carreira, os
The Coup editam o seu sexto álbum de originais intitulado
Pick A Bigger Gun. Raymond Riley é um activista politico empenhado e as suas letras reflectem uma vez mais algumas preocupações com a situação actual da sociedade contemporânea. As críticas, e irónicas, em torno do capitalismo, prostituição, politica americana e brutalidade policial, marcam presença. O humor solta-se com naturalidade sem nunca perderem a seriedade. Vista como uma banda radical no meio, o projecto não se inibe de expressar-se da forma que mais lhe convém, tanto musicalmente, como liricamente. A música mantém a precisão habitual. O cuidado em torno da composição revela a sagacidade de quem percebe do oficio. Bom hip-hop!
Mais um viciado no trabalho.
Daedelus não pára, tendo acabado de editar o sucessor de Exquisite Corpse:
Denise The Day Demise. Do estúdio em Los Angeles até aos escritórios da Ninja Tune, o excêntrico produtor mantém-se ambíguo na forma como pretende ser olhado e no estilo a assumir. Essa ambiguidade permite-lhe caminhar de forma transversal, optando abordagens electrónicas mais experimentais tendo sempre o hip-hop como base. Por outro lado, e sendo certo que todos os seus álbuns têm uma consistência inabalável, acaba por nunca editar o verdadeiro trabalho... Poderá ser intencional, talvez uma forma de manter-se ligado as raízes mais underground. Com o novo tombo, Daedelus procura uma ponte entre o hip-hop e o samba, encontrando no funk e em partículas jazz os fios condutores capazes de costurar toda a peça, atribuindo-lhe alguma coerência estética. Mais um disco estranho...