V/A "THE KINGS OF JAZZ"
Gilles Peterson e os
Jazzanova não param, parecendo cada vez mais determinados a dar a conhecer o passado e o presente, seja da soul, do funk ou do jazz, enquanto ganham umas coroas para se sustentarem.
Proporcionar dois ângulos de observação - enquanto dispõem do espaço e do tempo para expor a matéria -, não impedindo-se no exercício compilatório de revelarem algumas das suas influências, continua a pautar os objectivos de Gilles Peterson e dos Jazzanova na elaboração de mais uma antologia, desta vez sobre o jazz. O ecletismo continua a fazer do radialista inglês e do colectivo de Berlim, respeitáveis referências na divulgação tanto dos clássicos, bem como de novidades, proporcionando ao ouvinte pequenos d
icionários onde diversas tipologias são expostas.
Desta vez convidados pela
Rapster a darem continuidade à série 'The Kings Of...', tanto Gilles como os Jazzanova reforçam a ideia de que o jazz não é uma música de elites, mas sim um género vivo, mutável (com o desenrolar dos anos), que reflecte a profundidade dos sentimentos dos seus autores, sendo uma forma de arte capaz de expressar estados de alma sinceros, verdades interiores ou poesia sentida e que exige naturalmente um pouco de ouvido e paciência para se poder perceber a sua acepção - resta saber se as pessoas têm vontade de aprender a ouvir música, mas isso é outra história!
Apesar do ecletismo sempre presente,
'The Kings Of Jazz' não é dos melhores nomes para uma colectânea (sobre jazz) desta natureza. Não é que não reflicta parte do legado histórico do jazz e que os nomes incluídos no primeiro CD sejam duvidosos ou sem narrativa comprovada, mas quando duas gerações - e duas escolas distintas- co-habitam no mesmo espaço e os denominamos de reis, esperar-se-ia que todos estivessem no mesmo nível. Acontece que, e apesar da qualidade dos nomes, nem todos os intervenientes contemporâneos ligados ao nu-jazz incluidos no segundo disco têm obra comprovada e nível suficiente para terem estatuto de reis... pelo menos neste presente e num futuro próximo. Príncipes talvez...