V/A "COMPOST BLACK LABEL Vol 1"
Em tempos de crise conceptual, para não falar criativa, a serpente acaba sempre por morder a sua própria cauda. E por mais que se esprema a verdade, nada de verdadeiramente substancial vem ao mundo quando se avoluma uma série de temas editados em vinil numa compilação que já tinha data de edição marcada mal foi concebido a ideia inicial.
Sustentar um projecto da envergadura da Compost torna-se difícil quando os nomes emblemáticos resvalam para a banalidade, e nada de novo têm para dizer, ou uma nova geração músicos e produtores revela dificuldades em impor-se num universo onde todos falam a mesma linguagem. Depois de esgotadas determinadas soluções, torna-se necessário regressar às raízes e procurar no tubo de ensaio a solução. Não que esteja ao virar da esquina a solução que permita trazer brilho ao fusco, mas mérito haja quando se experimenta, mesmo que o resultado final nada traga de verdadeiramente novo tanto à música em geral, como às pistas - local onde a história varias vezes provou ser natural o nascimento de um futuro.
Desenvolvido a pensar nos DJ e nas pistas de dança - e em todos que a consideram um habitat natural-, a série
Compost Black Label procura essencialmente trazer alguns aromas varigados e apreciativos, evitando constrangimentos ou promiscuidades que possam comprometer a imagem de marca da Compost (cultivada nos últimos anos), apresentando-se assim com um catálogo alternativo ao principal. Nem sempre objectivo é atingido e nem sempre a mensagem chega com a substância necessária, mas como as peças redundantes - e desnecessárias - acabaram por nunca sair dos lados B impressos no vinil, a selecção deste primeiro volume acaba por trazer alguma satisfação, bem como alívio, mesmo que momentâneo, fazendo-nos (talvez) acreditar que uma dualidade nos catálogos viabilize o futuro a médio prazo.