RAPIDINHAS...
De
MF Doom já todos ouvimos falar um pouco, quanto mais não seja como um dos sócios da curta aventura Madvillan que juntou Doom a Madlib num registo que rapidamente se tornou num referência do hip-hop underground norte-americano. O homem, que habituamos a ver com uma máscara de aço a tapar a verdadeira identidade de Zev Love, começou em finais de 80 as actividades de beat diggin, pelo qual ainda hoje é conhecido. Depois do projecto KMD, que terminou abruptamente com a morte do seu irmão (parte integrante no grupo), Doom decidiu fazer um interregno, regressado cinco anos depois ao activo com uma nova determinação e talvez com uma nova forma de olhar o hip-hop. Encontrou em algumas alianças, como os De La Soul, Prince Paul, Madlib ou Prefuse 73, uma filosofia em comum, inspiradora e aventureira capaz de o lançar numa busca interior…
Special Herbs reflecte uma filosofia própria na exploração do ritmo e na manipulação sonora do jazz, da soul ou do funk, que é indicadora das diversas influências que co-habitam em Zev Love. Remetendo para segundo plano a sua inquestionável habilidade técnica, Doom procura, usando o seu apurado sentido estético, dar consistência aos seus pensamentos, produzindo um entendimento impulsivo e eloquente em forma de pequenos trechos instrumentais (quase metafísicos), concluindo-se categoricamente que o homem é um dos responsáveis pela implementação de uma escola hip-hop underground abstracta, que vive de ideias soltas.
Special Herbs é uma longa crónica que reúne uma década de trabalhos perdidos entre EP’s e 12”; uma ervanária com especiarias de sabores únicos, criteriosamente seleccionados, agora prontos a serem consumidos e que inclui raridades como os instrumentais dos KMD.
James Taylor e David Brown iniciaram actividades em conjunto em 1993 como DJs e rapidamente partiram em busca de novos portos, encontrando na produção o impulso, o estímulo que permitisse dar sentido à sua arte. Depois de quarto álbuns e uma série de remisturas, chegou a hora da inevitável retrospectiva. Como não têm temas que lógica de mercado obrigue a chamar de êxitos, fugindo assim ao detestável best of, os
Swayzak optam por compilar algumas remisturas e juntar uma série raridades (lados b) num desequilibrado duplo CD intitulado
Route De La Slack: Remixes & Rarities.
Por um lado, a reconfiguração de matéria alheia permite uma primeira parte satisfatória, onde a imaginação anda a par com a magnífica capacidade técnica da dupla em concretizar as suas ideias, sem nunca revelarem desprezo pelas premissas originais. Por outro, compilar os lados b talvez não tenha sido uma ideia tão satisfatória; assim, no segundo CD, os Swayzak revelam alguns desequilíbrios, manifestando dúvidas conceptuais (quando sempre tivemos por garantido certezas), boas ideias mal concretizadas e uma confiança exagerada na programação (por vezes o piloto automático domina a liberdade), entre outros elementos que apenas revelam momentos menos inspirados.
Era preferível um único registo em vez de dois, evitando-se assim dar a conhecer duas faces, uma boa, outra má. Há experiências que são preferíveis nunca vir a conhecer…