MUALLEM "FRANKIE SPIRITS"
Um confesso admirador de Carl Craig, elogiando-o como um dos deuses do techno mais sofisticado produzido neste planeta, David Muallem é um homem que prefere a vida de nómada. Nasceu em Munique e até agora passou por Tel Aviv, Londres, Nova Iorque, vivendo actualmente em Berlim. Descreve o seu som como sendo interstella disco sound onde convergem diversas influências desde Issac Hayes a Jungle Brothers, dos Rolling Stones aos Kraftwerk ou dos The Neptunes a James Murphy, e a sua música reflecte praticamente todos os seus gostos. Começou carreira como tantos outros: inicialmente em clubes como DJ e daí em diante como produtor. Conhecido como DJ Force, tendo estado envolvido em projectos como Force & Paul (com Ben Mono), Muallem tem-se mantido ligado à Compost Records desde 1997, não admirando por isso que a edição do seu
primeiro álbum em nome próprio seja da responsabilidade da editora alemã.
Considerado por muitos como uma das novas - e fortes - promessas do catalogo da Compost,
Muallem opera nos mesmos pressupostos que boa parte dos companheiros de editora: cruzar as linguagens do breakbeat com a soul, o hip-hop com o techno ou funk com a pop. Daí podemos concluir que nada verdadeiramente refrescante se sente neste novo pólo "turístico" da Compost. A verdade é que
Frankie Spirits começa por prometer a boa nova para no fim concluirmos que parte da actividade se regulou por uma excessiva confiança na programação, tendo relegado para segundo plano tudo o que de interessante a amalgama de referências poderia ter oferecido à sua musica. Assim, e mérito haja no esforço de atribuir algum glamour a todas as peças, a acção torna-se excessivamente espartana quando o objectivo real era evitar a austeridade formal. A música surge em piloto automático e só ocasionalmente se solta, libertando-se do constrangimento a que as máquinas forçam um produtor contemporâneo. Nos momentos mais espontâneos encontra-se alguma vitalidade criativa quando por exemplo a pop/rock com sabores anos 80 se cruza com o breakbeat (Cheerleader) ou o falsete de Mark Frank (a lembrar Plantlife) traz a essência do funk e o calor da soul a Holla.
Se há poucas semanas, a propósito de Compost Black Label, lamentava-me que a editora tem revelado algumas dificuldades em encontrar nomes fortes que imponham uma nova linguagem num universo onde todos murmuram repetidamente a mesma linguagem, nem Muallem, em sucessivos exercícios em bicos de pés, consegue efectivamente destingui-se da profunda apatia que instalou-se em determinadas praças, outrora criativamente ricas e activas. Apesar das tentativas de revitalização manterem-se como desígnio empresarial da Compost Records - só assim será possível a sobrevivência -, será caso para perguntar se se trata de mais uma aposta falhada...