Wednesday, June 14, 2006
  BIG APPLE RAPPIN
Mais colectânea, menos colectânea, é inevitável tropeçarmos nelas, observar o seu conteúdo e interrogar-nos sobre o seu propósito. Não será difícil concluir que boa parte delas existem simplesmente por imperativos financeiros das editoras, não se estranhando a constante rentabilização de nomes já conhecidos do público ou optar-se por temáticas, sejam as típicas lounge, chill-out ou dance-isto ou dance-aquilo. Essas são as típicas antologias que inundam o mercado, longe de proporcionarem um conteúdo com interesse, seja histórico, divulgando raridades que só dessa forma poderiam ver a luz do dia, ou novidades relevantes, que por motivos de distribuição impossibilitam o comum mortal de ter acesso a elas. O que temos hoje é antologias com êxitos avulso.
Esta “lei” não se aplica em todas as situações, mas são sem dúvida as mais comuns, tanto que algumas das melhores colectâneas encontram-se apenas em lojas especializadas e raramente em grandes superfícies.
A Soul Jazz Records é, à semelhança do que eram a Volume ou a MasterCuts à quinze anos atrás, um projecto editorial que centra boa parte da sua acção na tarefa de compilar música, não avulso, mas com objectivos claros e sérios de agrupamento de preciosidades com valor histórico relevante. Iniciou actividades preocupada com a importância da música da Jamaica na cultura pop contemporânea, tendo rapidamente alargado o leque a outros géneros para alem do reggae, não se tendo poupado a esforços no trabalho arqueológico de descoberta das diversas origens do jazz, do funk, da soul, da house-music ou do hip-hop, como é o caso do recente documento Big Apple Rappin.
Evitando o óbvio, a Soul Jazz prefere o trabalho de investigação, optando por contactos próximos com os protagonistas que fizeram a história e deles retirar a informação necessária para a enquadrar, bem como recolher as fotografias - sempre pertinentes - que registaram um determinado momento para o resto da eternidade. Pormenores que acabam por fazer as delícias de quem na música encontra o estímulo que faça o dia parecer perfeito. A mais recente edição da Soul Jazz invoca mais um momento embrionário de um género que, mais de trinta anos depois, atingiu a confortável maturidade, existindo na vida hodierna, acreditando ainda no seu legado e sempre ansioso por seguir o seu rumo em direcção ao futuro. E se o hip-hop nasceu marginal, parido na rua por quem tinha necessidade de expressar-se, hoje, três décadas depois, mantêm as premissas originais lançadas em finais de 70.
É inevitável que a história nos lembre que nem tudo foi bom e que, depois da ascensão e implementação do hip-hop na cultura urbana, há quem tenha encontrado na violência absurda das palavras, uma possibilidade de segunda vida e nos tenha feito duvidar da exequibilidade de uma terceira via que felizmente acabou por surgir em “3 Feet High and Rising”. Mas isso é outra história que mais dia, menos dia deverá ser novamente contada…
Em Big Apple Rappin, a Soul Jazz prefere as origens, a verdade para além do reconhecimento histórico e obvio da importância de uns Grandmaster Flash and The Furious Five ou de uns Sugarhill Gang. Os autores desta selecta preferem os nomes que a pulso ganharam o prestígio na rua, que cometeram os primeiros erros e deles extraíram técnica e sabedoria, preferem procurar os primeiros pioneiros que através da força da palavra souberam fazer valer as suas qualidades como poetas de rua, preferem procurar na, ainda básica, manipulação sonora do ritmo e da melodia um acompanhamento seguro, capaz de suportar o peso do verbo. No fundo a editora atingiu uma vez mais o objectivo a que se propôs: encontrar um certo passado e atribuir-lhe o valor intrínseco, merecido, enquadrando tudo com os habituais pormenores – neste caso, para além das entrevistas e fotografias com alguns protagonistas da época, uma série de flyers a anunciarem as famosas festas (alguns desses panfletos podem ser vistos mais abaixo).
Compilações assim têm de ser obviamente elogiadas, tanto pelo conteúdo propriamente dito, tanto pelo profissionalismo de quem, com um excelente trabalho de investigação, nos proporciona um documento que agora retrata um determinado período que mudou inevitavelmente o rumo da música popular deste planeta.

www.souljazzrecords.co.uk
 
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    Friedrich Nietzsche In Nietzsche Contra Wagner.


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