RAPIDINHAS...
TOSCA "SOUVENIRS"Mais uma colectânea de remisturas. Começa a não haver grande paciência para determinados exercícios de revisão, ora porque começam a ser banais – porque o mercado assim o exige – , ora porque a quantidade deixou de ter qualidade. Nem uma mão cheia de nomes sonantes consegue transformar hoje em dia a pobreza intelectual em riqueza substancial. Dos Tosca é habitual, após a cada registo de originais – neste caso "J.A.C." –, um álbum de remistura, mas se é certo que as primeiras manobras de desconcertação e construção em torno de “Opera” e “Suzuki” tinham matéria-prima suficiente que justificasse os exercícios, o mais recente registo de originais apenas vem confirmar a suspeita levantada em "Dehli 9"; rapidamente conclui-se que a vitalidade criativa dos austríacos dissipou-se, não havendo subsequentemente muito para esmiuçar no exercício da remistura, tornando assim desnecessário este disco. Tudo o que se ouve em “Souvenirs” é inócuo e insosso. Por melhor que seja a galeria de notáveis a recontextualizar a matéria, há trabalhos que são ingratos. Que perda de tempo!
V/A "DJ KICKS - Exclusives"Não haverá grande história para contar! Para comemorar a 200ª edição, a conceituada etiqueta !K7, sedeada em Berlim, decidiu reunir uma série de temas elaborados exclusivamente para cada uma das séries DJ-Kicks. Os nomes incluídos nesta antologia comemorativa são bons e de
peso e não passam despercebidos, apesar de alguns dos intervenientes não passarem de mitos sucumbidos (Kruder & Dorfmeister), lendas vivas (Thivery Corporation, Truby Trio) ou novidades passageiras (Dj Cam, Viktor Duplaix). Com a excepção de Tiga ou Annie, a novidade não passa por aqui, aliás todo o alinhamento recorda-nos o prazer que foi descoberta de novos limites durante a segunda metade dos anos 90, encontrando-se aqui apenas dois motivos que justificam a edição de DJ Kicks-Exclusives: a oportunidade de juntar nomes e temas exclusivos num único set, promovendo-se assim a nostalgia num único take, e a comemoração das 200 edições. Dai em diante nada mais que o passado, nada mais que recuperar musicas que viveram o seu tempo. Os apreciadores e coleccionadores das colectâneas DJ Kicks não terão nada de novo para encontrar aqui, senão um volume inútil na sua colecção. Para quem nunca prestou atenção à série e pouco tem ligado à nova música urbana, tem aqui a oportunidade de descobrir algumas das referências que marcaram os últimos dez anos da música electrónica.
ISOLÉE "WESTERN STORE"Depois do relativo sucesso de “We Are Monster” no ano anterior, a Playhouse decidiu no início deste ano de 2006 reeditar os primeiros trabalhos de Isolée, o alemão nascido e criado Rajko Müller. Voltam a ver a luz do dia o álbum de estreia “Rest”, bem como os primeiros registos todos eles gravados entre 1996 e 2000, agora reunidos em “Western Store”. Ambos reflectem a ambição do alemão em levar as linguagens do techno ou do house para um terreno onde haja espaço para experimentar e simultaneamente repensar os paradigmas que têm norteado a produção de música electrónica de à dez anos para cá. Desde cedo que nos apercebemos dessa vontade; desde os primeiros registos que nos deparamo com abordagens minimais ao tecnho e à house, como se já na altura Rajko tivesse consciência da necessidade de despir a música, adornando-a apenas com o essencial. A música ainda hoje não está datada, como como ainda hoje continua a não ser muito fácil ouvi-la, exigindo-se sempre alguma disponibilidade na abordagem desta música conceptual. Visto por muitos como uns dos visionários do techno actual, Isolée alojou-se num mundo digital por si criado e de lá não deverá sair tão cedo…! A juntar a colecção!