TIGA "SEXOR"
Com 15 anos de profissão é natural que Tiga seja um dos mais atentos produtores da actualidade. Com uma série de temas editados no passado e uma infindável lista de remisturas, chega agora a confirmação que permite perceber por que linhas se cosem as orientações musicais do canadiano.
Devo confessar que nunca tive grande afinidade pelo electro-clash, e consequentemente pelas primeiras produções de Tiga, bem como me custa a entender determinados revivalismos que por vezes surgem, e que a indústria coroa como moda. Não que tenha uma relação de ódio com passado, e neste caso com os anos 80, mas acredito profundamente que é possível a inspiração sem vivermos obrigatoriamente reféns de paradigmas. Muitas das vezes esses paradigmas nem sequer foram fortes o suficiente no passado, quanto mais neste presente em que todos procuram reciclar ou rescrever sem no mínimo acrescentar algo de substancial que permita contemplar com prazer a pseudo-novidade.
O processo de elaboração de Sexor parece ter sido longo mas ainda bem que o foi. Em tudo dá entender que foi uma produção prudente e cuidadosa, soando uma pop bem estruturada, evitando sempre ideias sem potencial ou com fraco desenvolvimento, com uma escrita preocupada com o presente e capaz de nos fazer recordar o passado. Nem sempre há perfeição, mas talvez tenha sido essa uma das preocupações de produção. Edificar temas pop dançáveis neste estilo não é muito comum nos dias que correm e nem
Madonna conseguiu a consistência de Sexor, primeiro porque o álbum debutante de Tiga é visão exclusiva do seu autor, o fruto
de um ideia que fermentou durante anos; segundo, enquanto Madonna procura perpetuar os revivalismos de 80 através do disco, Tiga procura agora revitalizar a pop contemporânea sem nunca esconder as influências que o fizeram mover durante a adolescência.
Sexor é sem dúvida um objecto dos nossos dias: híbrido na sua concepção, reunindo em torno das linguagens pop o house ou o techno, aberto a colaborações com Jesper Dahlback, os Soulwax e até mesmo Jake Shears dos Scissor Sisters, sensível a reinterpretações de originais dos Talking Heads (Burning Down the House), Public Enemy (Louder than a Bomb) ou Nine Inch Nails (Down in it), revelador de uma premeditada concepção visual inspirada num imaginário (a capa do disco) e eficaz na transmissão de uma mensagem.
Sexor não é arrebatador mas espevita o ouvinte com uma sensualidade provocatória e um apelo vincadamente sexual, recorre a um ideal perdido sem nunca ficar preso a ideias fixas, recorre a uma escrita pop moderna, consciente e competente, obrigando a música a um desfile quente e ritmado, suado e perverso, sujo e glamoroso.
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