RAPIDINHAS...
Ursula Rucker "Ma'at Mama"Ma'at Mama, nome de um príncipe egípcio conhecido como deus da verdade e justiça, é o título do terceiro álbum de originais da rainha do spoken-word, Ursula Rucker. Por aqui mantém-se o espírito contestatário nas palavras que levou a edificação dos registos anteriores. Por mais que se experimente ou se tente elaborar novos manifestos, a música propriamente dita nem sempre é o principal motivo para a elaboração e produção de um disco. A insaciável necessidade -e sentido de dever- de poetas para comunicar, transmitir ideias ou filosofias, justifica só por si uma merecida atenção por parte do público. Alertar e expor, sem preconceitos, medos, hipocrisias, politicas dúbias ou simplesmente exigir justiça e igualdade numa sociedade cada vez mais desigual, parece continuar a ser a missão de Ursula Rucker neste Ma'at Mama. Primeiro a palavra -e o seu poder-, em segundo a música: o verdadeiro veículo transportador de rimas e verdades num terceiro álbum recheado de mensagens que já mais deverão ser ignoradas!
Anja Garbarek "Briefly Shaking"Quarto álbum em 13 anos e também o primeiro longe de corresponder ás expectativas. Anja Garbarek, filha do veterano do free jazz norueguês Jan, regressa no início de 2006 com Briefly Shaking, mais um registo que navega algures entre a pop contemporânea, o rock, a electrónica, o acid-jazz e reminiscências da Broadway. Este novo registo revela um inexplicável desequilibro entre a personalidade de Anja e a sua vontade em procurar uma nova escrita, entre uma capacidade de compor momentos de verdadeira pop estruturada no prazer e contemplação imaginária e erguer registos inócuos, disculos, confusos e híbridos. Podia não se estar à procura de perfeição, mas era escusado presentear-nos com uma confusão conceptual que deriva nos mares do inexplicável. Metade do disco soa relativamente bem, a outra é de difícil compreensão. É pena!
Quantic "One Off's Remixes and B Sides"Será ainda possível alguém ainda ter duvidas sobre o talento de Will Holand? Penso que não! Will é sem dúvida um elemento indissociável da boa música jazz-funk que se produz no velho continente, atento ao presente e um árduo estudioso das velhas escolas do jazz, Quantic consegue fazer convergir o espírito e a alma africana num cuidadoso e eloquente sincretismo entre as linguagens urbanas contemporâneas como o funk, a soul, dub ou o hip-hop, tornado ainda possível a co-habitação de vários pensamentos pop a um nível que poucos produtores conseguem atingir. Ao ser capaz de tornar possível a sintetização da fusão de diversos lugares num só, Quantic revela a audácia de acreditar na inexistência de limites quando chega a hora de criar. One Off's Remixes and B Sides, dupla compilação que reúne lados b e uma série de remisturas, revela bem como Will vai passando o tempo no intervalo criativo de projectos como Quantic, Quantic Soul Orchestra ou Limp Twins...