RAPIDINHAS...
RÖYKSOPP "RÖYKSOPP'S NIGHT OUT" Eis que os noruegueses Röyksopp apresentam-se com um EP ao vivo, e ainda bem que o fazem num formato mais reduzido e económico, porque se tivessem preferido um registo de longa duração, maior teria sido a desilusão. Para quem no início tinha espectáculos ao vivo interessantes, recheados de electrónicas coloridas e quentes, procurando explorar em palco os temas apresentados nos álbuns, "Röyksopp's Night Out" é uma verdadeira desilusão. Depois de uma magnífica estreia em 2001 com "Melody A.M." e de um decepcionante "The Understanding" em 2005, chega-nos um registo ao vivo pálido e sem grandes motivos de interesse, que assenta essencialmente nos temas do último registo de originais. Com excepção de Sparks, Poor Leno ou Remind me (curiosamente, todos eles de "Melody A.M."), nada substancial parece haver que permita distinguir os originais dos temas tocados ao vivo. O alinhamento não é o melhor, nem a maior parte dos temas ao vivo consegue ter dinâmica suficiente para fazer esquecer este mau momento que os noruegueses parecem estar a atravessar.
CARL CRAIG "THE ALBUM FORMERLY KNOWN AS..." Um dos grandes senhores da segunda vaga de produtores de techno de Detroit, Carl Craig é dono de uma das mais interessantes, e longas, discografias, tendo trabalhado sobre vários disfarces como BFC, Psyche, Paper Clip People, Designer Music ou Innerzone Orchestra. O seu nome é respeitado entre produtores e críticos; desde cedo soube granjear os louros por ter um tipo de produção variada e transversal, movimentando-se do techno em formato quatro por quatro ao Jazz de fusão, da Soul à electrónica experimental, entre outros. Um dos seus maiores exemplos de criatividade é o álbum "Programmed" de 1999 da Innerzone Orchestra, ainda hoje uma pérola para quem segue o som de Detroit, e o álbum "Landcruising”, editado sensivelmente à dez anos a trás e que acaba de ser reeditado. "The Album Formerly Known as..." (assim se chama em 2006) é uma remasterização do original, havendo retoques e pequenas alterações nas versões, contendo ainda um inédito que segundo consta data do período da produção dos restantes temas. A reedição está a cargo da editora
Rush Hour, que nos proporciona em 2006 a possibilidade de redescobrir uma das mais conceptuais obras de Carl Craig.
BECK "GUEROLITO" Ai está! Mais um disco de remisturas e mais um sem grande história para contar. Procurar vida para além do original deve ser tarefa confiada a quem sabe esmiuçar as ideias dos outros e simultaneamente arruma-las de forma personalizada; só assim a remistura poderá se encarada como arte de transformação. Não que aqui não haja um claro processo de transformação, mas reunir um grupo de produtores e músicos, todos eles com provas dadas na produção própria, e obrigá-los a mexer e remexer a matéria de "Guero", e de seguida fazer uma tão desapontante apresentação de resultados, teria sido preferível deixar os temas do mais recente álbum de Beck sossegado! A maior parte dos temas soa prometedor ao início mas acaba por deixar o ouvinte frustrado por nada de interessante ou relevante ser acrescentado. Recomendam-se as remisturas dos Air, dos Boards of Canada ou de 8Bit, por serem os únicos que conseguem inserir uma linguagem mais pessoal à matéria-prima e primorarem um pouco pela reescrita dos originais; todos os outros baralham com pouca força ou simplesmente não têm muito engenho para a difícil tarefa que é remisturar Beck.