MOZEZ "SO STILL"
Todo o músico tem necessidade de se afirmar com determinação, tanto pelas ideias e atitudes, pela criatividade, técnica de composição ou improvisação; no fundo demonstrar que a existência, enquanto artista, se justifica e que subsiste uma alma que movimenta a vontade de abraçar novos desafios. Todos nós chegamos a momento na vida em pretendemos demonstrar o valor individual e que conseguimos construir algo por nós próprios, sem um apoio externo que condicione a tal vontade de atingir horizontes de concretização pessoal. Mozez parece ter abraçado essa atitude e com este So Still demonstrar que existe mais vida para além das esporádicas colaborações com os Zero 7. So Still começa com uma declaração de liberdade onde o autor procura demonstrar que conseguiu dar os primeiros passos para encontrar-se a si mesmo e ainda encontrar as forças divinas para caminhar num universo onde é imperativo a vontade própria. Por isso mesmo este trabalho de estreia, para além de demonstrar determinação artística, é uma obra pessoal, quase um retrato de vida cuidadosamente preparado ao longo dos anos. Mozez, nascido e criado na Jamaica, desde cedo abraçou a música. Filho de um padre, de terna idade habituou-se ao gospel que cantava na igreja juntamente com os seus irmãos. Frank Sinatra, Marvin Gaye e Otis Redding são algumas das inspirações norte americanas que o influenciaram e lhe apuraram o gosto pela soul.
Em 1994, depois de ter sido descoberto o seu talento enquanto cantava num casamento de um jornalista, foi convidado a integrar o projecto Spirits mas apesar do relativo sucesso, Mozez, insatisfeito, decidiu procurar um outro rumo e dedicou-se à composição da sua própria música; enquanto procurava encontrar o tom certo para a sua voz, acabou por encontrar a dupla Zero 7, Henry Binns e Sam Hardaker.
Os interesses em comum acabaram por trazer ao mundo dois emblemáticos registos pop: Simple Things e This World – ambos incluídos no álbum de estreia dos Zero 7 de 2001.
Em So Still existem ocasionalmente pontos em comum com a música dos Zero 7, mas a vontade e determinação de Mozez em encontrar um estilo próprio leva a alguns desvios onde a música transborda de espiritualidade própria de quem passou muitos anos a cantar numa igreja. A música cobre-se de uma subtileza aveludada e uma sensibilidade de quem olha para o mundo com a esperança que o amor consiga prevalecer sobre todas as ameaças de violência. O manifesto pessoal é evidente, apesar de nem todos os temas atingirem um patamar onde possamos, de forma analítica, afirmar que os objectivos foram plenamente atingidos. Mas para um começo, So Still não é um mau início…