LADY SOVEREIGN "VIRTICALLY CHALLEGED"
Depois da estreia em pequeno formato (Random, Hoodie – 2005) e o seu talento ter sido reconhecido por gente como Dizzee Rascal, D12 ou Mike Skinner dos The Streets, a jovem Lady Sovereign, de 19 anos, edita um mini-álbum de estreia, ou se preferirem um EP. Não podemos ainda considerar o grande trabalho debutante, mas é sem dúvida um início ou até
mesmo um passo em frente que revela, como sugere o título, a determinação de uma jovem adulta que pretende conquistar o mundo. As suas influências vão desde Tracy Chapman a Ace of Base ou de Dizzee Rascal a Missy Elliott; talvez sejam estes últimos que podemos identificar como elementos de alguma inspiração neste Vertically Challenged.
À semelhança de Dizzee, Kano, M.I.A. ou The Streets, as assimilações do ragga, do dancehall e do hip-hop suportam um palavreado parafernal num grime de ritmos robustos, prontos a serem atirados com violência a todos os que procuram no hip-hop britânico uma alternativa à linguagem, por vezes formatada, do congénere norte-americano. Inconformada com a sociedade que prevalece, típico de quem cresceu na rua, Lady Sov., enquanto MC, dispara de língua afiada aos alvos habituais e num tom irónico e desafiador, lança farpas aos políticos, e os seus protagonistas, à forma como é olhada a cultura idolatrada pelos adolescentes, a intolerância racial e em geral à hipocrisia que a sociedade promove.
À semelhança de M.I.A., a escrita é precisa, mas o melhor acaba por ser a proclamação proverbial que dança em torno dos sons, reforçando e estimulando a escuta da mensagem. Apesar de tudo correr bem, Vertically Challenged ainda não é o verdadeiro trabalho de estreia, o tal que consiga ir para além dos 45 minutos, tempo muitas vezes suficiente para tirar as verdadeiras ilações sobre as qualidades de um músico. Entretanto contentemo-nos com este manifesto pessoal de uma jovem com vontade de impor-se tanto em palco como em estúdio, tanto na Grã-Bretanha como nos Estados Unidos.